INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS E DESEMPENHO ESG:
UMA ANÁLISE NAS COMPANHIAS ABERTAS DO BRASIL
DOI :
https://doi.org/10.4270/ruc.2025101Mots-clés :
Internacionalização, Sustentabilidade, ESG, Teoria dos StakeholdersRésumé
Diante do panorama dinâmico dos mercados globais e das crescentes demandas dos stakeholders, as empresas têm intensificado foco em questões ligadas à sustentabilidade. Além disso, o arcabouço normativo e regulatório internacional relacionado à sustentabilidade estabelece um contexto em que as empresas precisam alinhar suas estratégias de internacionalização aos princípios ESG. Nesse ambiente, a internacionalização pode levar as organizações a reforçar sua atenção e comprometimento com práticas ESG. Respaldado na Teoria dos Stakeholders, o estudo investiga a influência da internacionalização das empresas brasileiras de capital aberto em seu desempenho ESG (agregado, ambiental, social e governança), considerando-se o quinquênio 2017-2021. De natureza quantitativa, a pesquisa identificou que, em 2021, o grupo de empresas com atuação no mercado internacional por meio de negociação das ações apresentou um melhor desempenho ESG. Constatou-se, entretanto, que quanto mais a empresa se internacionaliza por meio da negociação de suas ações em bolsas de valores estrangeiras, menor é o desempenho ESG (agregado, ambiental, social), sugerindo que as companhias brasileiras não implementam essas práticas ao operar em mercados de capitais globais. Além disso, o desempenho de governança não apresentou significância em nenhum dos modelos estatísticos, indicando que as empresas internacionalizadas não adotam estruturas de governança desenvolvidas para adquirir a confiabilidade de seus stakeholders e atrair novos investidores, contrariando os pressupostos da Teoria dos Stakeholders.
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