A ascensão do monocultivo de soja e seus impactos multiterritoriais: um estudo sobre a perda de campos nativos no Pampa gaúcho
DOI :
https://doi.org/10.7867/1983-1501.2025v28n2p27-49Résumé
O presente artigo examina as dinâmicas espaciais e a degradação ambiental resultantes da expansão da sojicultura nos cinco principais municípios produtores do Rio Grande do Sul em 2017: Tupanciretã, São Gabriel, Júlio de Castilhos, Cachoeira do Sul e Dom Pedrito. A pesquisa adota uma abordagem metodológica qualitativa e quantitativa, com foco na análise integrada de variáveis como o uso do solo, a estrutura agrária e as transformações territoriais. O referencial teórico baseia-se na Geografia Agrária e na Biogeografia para compreender como a ascensão da monocultura de soja reconfigurou o espaço geográfico do bioma Pampa, historicamente caracterizado pela pecuária extensiva e pela política de sesmarias. A análise de dados demonstra que a modernização agrícola e a crescente capitalização do setor, iniciadas na década de 1970, culminaram na substituição de vastas áreas de campos nativos por lavouras de soja. Entre 1985 e 2024, a área de agropecuária no Pampa aumentou de 4,8 milhões para 8,6 milhões de hectares, resultando na perda de 30,3% da vegetação nativa, o que o torna o bioma mais devastado do Brasil. O estudo conclui que a expansão da sojicultura tem gerado uma intensa pressão sobre o bioma Pampa, com impactos significativos na paisagem e na biodiversidade.