A globalização da natureza no Vale do Jequitinhonha/MG: a modernização ecológica na monocultura de eucalipto
DOI:
https://doi.org/10.7867/2317-5443.2024v12n3p71-98Resumo
À medida que a crise ambiental se torna consenso no século XX, o espaço globalizado passa a ser produzido com o suporte de nova regulação das fontes de matéria e energia, a fim de controlar, prolongar e economizar tais recursos. Nessa proposta de regulação ambiental pela modernização ecológica, o discurso da sustentabilidade é cooptado pelo poder econômico, como se constata na gestão do grupo Aperam em seu cultivo de eucalipto em Minas Gerais. Por isso, objetiva-se analisar a inserção internacional da questão ambiental na produção capitalista do espaço e demonstrar suas características no Vale do Jequitinhonha. Fundamentada na pesquisa lefebvriana do espaço social, o artigo parte da discussão teórica da ecologia política, como modo de embasar a análise de documentos multilaterais e empresariais, e avança por uma revisão bibliográfica dos projetos desenvolvimentistas e da expansão da monocultura de eucalipto na região desde os anos 1970, com a adição de dados secundários de conflitos. Os resultados mostram correspondência entre os discursos de sustentabilidade presentes na produção global e regional do espaço, materializada na intensificação do uso de recursos voltados ao mercado externo, sem maior geração de empregos e com tecnologias mais voltadas para a produtividade que para as dívidas ecológicas e sociais.
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