ENTRE MÁTRIA E ANAÍTA
O FEMININO E O FEMINISMO COMO EXPRESSÃO DO CONTEMPORÂNEO NA POESIA TESTEMUNHA DE NATÁLIA CORREIA
Résumé
Este estudo analisa o poema XI de Mátria (1968), da poeta portuguesa Natália Correia, com o objetivo de explorar como a poesia da autora açoriana atua como testemunho de seu tempo e como nela o feminino e o feminismo manifestam expressões do contemporâneo. A pesquisa adota metodologia qualitativo-analítica, partindo da concepção de testemunho da poesia presente em O testemunho da poesia, de Czesław Miłosz (2012), para evidenciar o caráter histórico-social da lírica nataliana, além de recorrer ao trabalho crítico de Luís Adriano Carlos (2004), em A Mátria e o mal em Natália Correia. A investigação da fortuna crítica permite aprofundar a compreensão da utopia libertária no corpus analisado. Discutem-se, ainda, o culto à deusa Anaíta como retomada da cultura açoriana e como matriz de valores emancipatórios (liberdade, igualdade e sexualidade), fundamentando a análise no conceito de sublime de Dionísio Longino (2015), em Do Sublime, e na concepção de poesia como construção proposta por Jean-Luc Nancy (2004), em “Fazer, a poesia”. Conclui-se que a mátria de Natália Correia projeta uma utopia intempestiva que tensiona o autoritarismo patriarcal e instaura, pela via estética, um espaço de resistência.
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