A CARNAVALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA E O RISO NO LIVRO FELIZ ANO NOVO (1975) E NO FILME RELATOS SALVAJES (2014)
Résumé
Este artigo tem por objetivo tecer análises sobre o riso e a violência em dois episódios do filme Relatos Salvajes (2014), dirigido pelo argentino Damián Szifron em perspectiva comparada com um conto do livro Feliz ano novo ([1975] 2013), de Rubem Fonseca. Essas obras suscitam o debate sobre a representação da violência, as nuances do riso e a reflexão do que é “risível” na contemporaneidade. Trata-se de debater sobre como a inversão dos papéis sociais é representada na narrativa fílmica e literária e como o riso enquanto linguagem age no tempo, no espaço e na história traduzindo-se em visão de mundo. Embora, o filme e o livro tragam temas narrativos distintos dentre os contos e/ou episódios, as tramas se conectam pela abordagem da banalização da violência como recurso cômico e a metaforização das hierarquias de poder na sociedade contemporânea capitalista. Como proposta de fundamentação teórica, o trabalho recorre às teorias de Mikhail Bakhtin (2008) sobre a carnavalização e o riso, assim como os estudos sobre o riso de Georges Minois (2003). Considera-se, finalmente, que o filme e o livro propõem uma crítica social na medida em que há uma ruptura dos padrões comportamentais impostos à sociedade. O riso aqui é considerado carnavalesco porque se ri das instituições e normas “sagradas”; o riso das autoridades (Igreja, Estado, classe burguesa), o riso político das estratificações sociais.
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